DOENÇAS DA COLUNA

Escoliose e Cifoescoliose em Crianças

Crianças de todas as idades podem ser acometidas por escoliose (deformidade no plano coronal ou ao olhar de costas) ou cifoescoliose (além da escoliose há uma corcunda ou proeminência óssea da coluna).

Como se desenvolve ou se adquire?

Nas crianças podemos encontrar basicamente 4 tipos de escoliose:

- Escoliose ou Cifose congênita: quando há a presença de uma vértebra mal formada. Nesse caso podemos ter:
Defeito de formação: vértebra em bloco, barra unilateral
Defeito de segmentação: Hemivértebra Misto

- Escoliose neuromuscular: acomete crianças que possuam alguma doença neurológica ou muscular.
Sendo assim, podemos subdividir:
Neuropática: neurônio motor superior: paralisia cerebral, degeneração espino-cerebelar, TRM, tumor medular, siringomielia, neurônio motor inferior: poliomielite, medula presa, mielomeningocele, atrofia muscular espinhal.
Miopática: distrofia muscular, artrogripose entre outras.

- Escoliose Idiopática Infantil ou Juvenil: temos a seguinte divisão pela idade: Infantil: 0 a 3 anos e Juvenil: 4 a 9 anos. Trata-se de escoliose sem uma causa determinada, bem mais rara do que a escoliose idiopática do adolescente.

- Escoliose sindrômica: é quando a escoliose acomete uma criança dentro de uma síndrome, ou seja, um conjunto de sinais e sintomas de uma doença que acomete vários sistemas.

- Escoliose de novo. São as escolioses que surgem já na fase adulta. Nesse grupo temos:
Escoliose degenerativa: pessoas que durante o processo degenerativo de desgaste da coluna, passam a desenvolver uma curvatura anormal, inclusive com inclinação do tronco para frente.

Deformidade iatrogênica: pessoas operadas no passado e que passam a desenvolver uma deformidade acima ou abaixo da área operada.

Quais os sintomas?

Os sintomas incluem geralmente uma deformidade que é notada em geral por algum familiar durante o desenvolvimento da criança. Em alguns casos a criança já nasce com diagnóstico prévio de uma mal formação que acometa a coluna ou de uma doença que tenha a capacidade de gerar escoliose.

Nas deformidades congênitas, neuromusculares e sindrômicas há uma possibilidade importante de desenvolvimento de cifose como sintoma principal ou acessório da escoliose. Nesses casos a criança fica muito curvada para frente, influenciando negativamente em seu equilíbrio.

Em geral não causa dor, porém a depender do tamanho da deformidade, é possível fazer lesão de pele por causa de
protuberâncias ósseas.

Como o médico faz o diagnóstico?

O diagnóstico é feito através do exame Clínico, associado a exames complementares de imagem como a Radiografia panorâmica AP e perfil com inclinações, Tomografia Computadorizada e Ressonância Magnética.

Como são várias as causas de escoliose, e formas de apresentação diversas, inclusive no que se refere à idade de aparecimento da mesma, esse diagnóstico poderá ser suspeitado inclusive por educadores durante a prática de Educação Física ou por avaliações de médicos de outras especialidades, como o Pediatra.

Como tratar?

O tratamento é individualizado caso a caso e é dependente do tipo de escoliose, magnitude da curva (tamanho da ângulação), idade de surgimento e idade de diagnóstico, além dos sintomas apresentados pelo paciente. Sendo assim, apresentamos aspectos gerais sobre as possibilidades de tratamento:

- Escoliose ou cifose congênita: o uso de coletes não tem aplicação nesse tipo de escoliose. Portanto resta apenas o tratamento clínico em que o médico observa frequentemente o crescimento da criança para avaliar a possibilidade de cirurgia e o tratamento cirúrgico que está indicado para escolioses que estejam progredindo. Em geral é possível realizar a correção cirúrgica a partir de 1 ano de idade, através de técnicas de cirurgia microscópicas pontuais, sem a necessidade de instrumentações longas, ou seja, sem a necessidade de artrodese de muitos segmentos da coluna.

Abaixo observamos na primeira imagem uma tomografia de criança de 1 ano e 2 meses com escoliose congênita e várias mal formações da coluna, porém apenas uma delas causava a principal deformidade. Na imagem do meio imediatamente após a cirurgia, onde realizamos hemivertebrectomia, ou seja, a retirada da vértebra mal formada. Na terceira imagem, a criança após 3 anos da cirurgia já sem os parafusos que foram retirados 8 meses após a cirurgia.

- Escoliose ou cifoescoliose neuromuscular: O uso de coletes não é recomendado para esse tipo de escoliose. Há muitos tipos de doenças diferentes que causam esse tipo de deformidade, desde doenças mais simples até doenças em que a criança já está paraplégica (não mexe as pernas). Nos casos em que a deformidade está progredindo, em geral é necessário cirurgia. Para crianças antes dos 8-9 anos, não recomendamos artrodeses longas, portanto utilizamos as conhecidas técnicas de crescimento ou
`growing rod`, termo em inglês, no qual a realizamos uma cirurgia inicial e após 6-9 meses, fazemos uma distração do sistema, permitindo o crescimento da coluna da criança.

Abaixo observamos o tratamento de uma grave cifoescoliose neuromuscular em criança de 6 anos de idade.

- Escoliose idiopática infantil ou juvenil: para esse tipo de escoliose o uso de coletes é recomendado e com chances boas de controle sem cirurgia. Para os casos em que a deformidade progride de maneira severa, indicamos cirurgia por técnica de crescimento ou `growing rod`.

- Escoliose sindrômica: Como o espectro de doenças e apresentações clínicas é muito amplo, pode haver indicação desde uso de coletes, até cirurgias por técnicas as mais diferentes possíveis.

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